gesta-mp [logotipo]

GESTA-MP

Grupo de Estudos Sociais, Tiflológicos e Associativos

A importância da assinatura para a inclusão da pessoa com deficiência visual.

ELABORAÇÃO:
PROFESSORA ETHEL ROSENFELD
ESPECIALIZADA NA EDUCAÇÃO DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA VISUAL
 

COLABORAÇÃO:
PROFESSORA CELINA B. M. CAMPOS
ESPECIALIZADA NA EDUCAÇÃO DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA VISUAL

Setembro 1992

Muitas vezes uma pessoa cega, por não saber assinar o seu nome e usar a impressão digital, é confundida ou passa a imagem de uma pessoa analfabeta. Assinar seu próprio nome é um ato de emancipação. Ao assinar um diploma, a carteira de identidade, a carteira profissional, documentos, título eleitoral e até cheques, a pessoa cega adquire sentimentos de auto-realização, de independência e de responsabilidade. E não assinar traz o desconforto da menosvalia e acentua a desigualdade.

Para que esta situação não se instale, é preciso não esquecer de inserir no currículo dos alunos portadores de deficiência visual, o ensino da escrita cursiva como também é de suma importância o ensino da datilografia comum.

A assinatura é um dos meios facilitadores para romper as barreiras do preconceito e informar a sociedade que o portador de deficiência visual também é um cidadão que, através de um gesto consciente, característico e pessoal, pode deixar marcada sua identidade nos documentos.

As pessoas cegas que não tiverem oportunidade de aprender a escrita cursiva durante a sua formação  básica, tem dificuldades em aceitar ou em compreender a importância desse ato, não manifestando interesse pelo seu aprendizado e cabe a nós mostrar-lhes o quão importante é assinar o seu próprio nome para diminuir uma possível imagem negativa em relação ao deficiente visual.

Não há técnica específica e única para um professor ensinar escrita cursiva, esta atividade vai do bom senso e da intuição do professor. Aqui seguem algumas sugestões para desenvolvermos este trabalho:

  1. Observar se o aluno já tem bem trabalhado o seu esquema corporal e, principalmente, se é capaz de dissociar movimentos de pulso, cotovelos e ombros;
  2. Observar se a coordenação motora fina está bem desenvolvida;
  3. Observar a orientação espacial;
  4. Observar a formação de conceitos quanto à linhas retas, quadradas, inclinadas, ângulos, curvas e sinuosas;
  5. Observar a memória tátil e sinestésica.

Observação:

O braille é linear tanto na leitura quanto na escrita; os movimentos são retos; o símbolos estanques e, por isso, se torna um pouco mais trabalhoso passar as noções de movimentos circulares, ondulares e unidos, tais como se apresentam na escrita cursiva.

Etapas do Trabalho:

  1. Com isopor e elástico, mostrar o movimento das letras tanto no espaço vertical quanto no horizontal e pedir que o aluno reproduza no isopor. Se necessário, usar o seu próprio corpo para que sinta o movimento das letras.
  2. As sensações cutâneas retém com mais rapidez, facilidade e globalidade as formas marcadas. Pode-se usar o rosto, pois, através das linhas do rosto encontramos formas de mostrar as letras (como exemplo, o livro de Maria da Glória Beutenmuller, Das Linhas do Rosto as Letras do Alfabeto).

  3. Trabalhar na tábua emborrachada e porosa com um punção de ponta grossa, tampa de caneta e papel plastificado ou celofane, para obtermos o efeito de relevo.
  4. Por último, lápis, caneta e papel com o guia-mão.

Dependendo do aluno, este processo leva de um a três meses ou mesmo mais.

[ir topo]

Última actualização efectuada em 12 Janeiro 2004
Webmaster: gesta@gesta.org.