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GESTA-MP

Grupo de Estudos Sociais, Tiflológicos e Associativos

Cadernos GESTA

Ano I Nº 1 Julho 2001

Apresentação

por José Adelino Guerra

Neste número, o primeiro dos "Cadernos Gesta", o "Editorial" designa-se "Apresentação". Antes de percorrermos as páginas deste "Caderno", dedicado ao Associativismo entre as pessoas portadoras de deficiência visual, impõe-se uma apresentação do conjunto, isto é, do projecto, para utilizar o termo habitual nestas circunstâncias.

Os "Cadernos Gesta", não são a folha oficial dos órgãos sociais do GESTA MP; aqui têm lugar todos os contributos que visem o desenvolvimento do pensamento e da acção tiflológica. Não se trata, tão pouco, da revista do Grupo, editada para noticiar as actividades do mesmo; essa informação deve ser conferida no sítio do movimento em http://www.gesta.org.

Os "Cadernos Gesta", são a concretização dum dos propósitos do GESTA MP, expresso na “Carta de Princípios”: “O GESTA-MP exerce a sua intervenção pela investigação, estudo e preparação de medidas concretas destinadas a contribuir eficazmente para a integração social dos deficientes visuais e para a correcta informação da sociedade em geral sobre a especificidade da deficiência visual” (Princípio da Intervenção Progressista).

A linha editorial tem por referência os valores e objectivos da "Carta de Princípios"; o estilo procurará assentar sempre na clareza do discurso, rigor, objectividade e afirmação fundamentada; o modelo é o de publicação temática, cada número dedicado a um assunto. Defenderemos a qualidade dos textos a publicar nos “Cadernos”, porque se queremos a qualidade do exercício e da prática tiflológica (associativa ou não), precisamos de defender qualidade cultural e científica.

Este número, que é primeiro, foi dedicado ao associativismo entre os deficientes visuais, não ficando a observação do fenómeno circunscrita a Portugal, mas alargando-se também a outras latitudes, geograficamente distantes, todavia próximas de nós pelos laços afectivos, linguísticos e históricos.

"Quatro séculos e meio parece ter o associativismo entre os cegos em Portugal. Surgiu à sombra de instituições religiosas e aí se manteve até ao fim do século XIX, quando se estendeu também ao campo laico. Com toda a probabilidade não terão sido os cegos que o geraram; mas com a criação da ALB começaram a preparar-se para o tomar nas suas mãos". Assim escreve Filipe Oliva, num criterioso, completo e actual estudo histórico sobre o movimento associativo dos cegos portugueses.

Em estilo impressivo e através da análise criteriosa, milimétrica, Fernando Matos ensaia, como ele mesmo declara, “a caracterização de certas estruturas vocacionadas para o atendimento de determinadas necessidades dos deficientes visuais, estruturas aqui designadas por “organizações tiflológicas portuguesas" cujo conceito se ensaia elaborar. Para além disso, busca igualmente inferir-se o papel de tais organizações na época actual, marcada por um dinamismo extremo”. Este bem estruturado estudo sobre o associativismo de cegos nas vertentes organizacional, jurídica, social, teleológica, não termina sem desvendar caminhos possíveis no futuro.

Joana Belarmino, professora universitária e ensaísta de reconhecido mérito, define, em estilo saboroso, o âmbito e dimensão do movimento associativo dos cegos brasileiros, alargado pelo saber e experiência de Judith Varsavsky a outros países do continente sul americano. Os “Cadernos Gesta” prosseguem, em texto da nossa autoria, com a descrição sucinta das diversas associações de cegos dos PALOP, e encerram com o registo de um elenco de nomes, datas e siglas relacionadas com o movimento associativo dos cegos no Mundo, resultado de pesquisa efectuada por Cláudia Cardoso.

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Última actualização efectuada em 18 Abril 2003
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